Pular para o conteúdo principal

Perdida Em Você




Ele quer me destruir, eu não sou ninguém
Até a hora de acordar, até mais além
Como vês o amor vai carregar as coisas na hora que ele chegar
Vai levar tudo que conseguir, chutando as paredes que eu construí ♪

Seus olhos estão marejando de novo. Enquanto toda a minha frustração e raiva são se embolando no momento de sair pela minha boca, seu rosto começa a se transformar: a boca trêmula, as bochechas perdem o quase sempre presente tom avermelhado do qual tanto gosto, as linhas de expressão vão se resumindo e uma homérica sensação de dor e angústia. Mal consigo respirar enquanto te fito, mas não paro de falar, falando, falando, até cansar, até não sobrar mais nada embaixo daquela sensível camada de pele. 

As lágrimas lavaram sua pele e a deixaram com um sabor salgado desagradável. Meus lábios são a única entrada e saída de ar funcionando corretamente em mim. Sinto em minha garganta uma espécie de corrente. Algo que me lembra uma inflamação, uma febre intermitente, e me incapacita. Neste exato momento acho que vou vomitar. E só consigo pensar: "estou te perdendo". 


Não importa quão grande é o seu sentimento. Também não vai importar o quanto ele significa e representa para você: "vamos perdê-las de um jeito ou de outro", as pessoas. Vamos perder as pessoas que mais amamos, cedo ou tarde. E não se preocupe, isso não necessariamente será culpa sua.

Você pode acreditar no amor, acreditar no poder que ele tem em edificar corações. Acreditar também que quando ele está presente, nada nunca será capaz de te destruir. Mas isso é uma mentira muito cruel. Amar é aceitar de bom grado o sacrifício de nunca ser feliz. Saber que será por uma briga, uma traição, uma percepção de caminhos distinta ou mesmo a morte, quem irá arrancá-las de você. Esqueça os incontáveis e apaixonantes sorrisos, os abraços aconchegantes, os dias em que ela foi sua âncora e as vezes em que você ou ela disseram "eu te amo".

Amar é escolher o gosto da saudade, da angústia, da raiva, do rancor, do ódio, ao invés da indiferença. É querer ver o céu sempre mais azul dia após dia. É descobrir que existem sentimentos que mal cabem em você e não ter espaço para ser feliz sozinho. Não ter espaço para mais nada além dele. Também é morrer todos os dias um pouquinho tentando renascer nas cinzas alguém melhor, só por aquela pessoa. Olhar no espelho e ter certeza que a palavra vida não faz sentido. Olhar ainda mais e repetir para si mesma: "você vai perdê-la".

Não importa o quanto grite, chore, o quanto doa, o amor vai ser cruel e fará você esquecer sobre quem é e seus objetivos. Te fará alguém diferente a cada dia e mesmo assim, o tempo vai tirar ela de você. E o que sobrar será como um solo onde foi plantado café. Inútil. Sem nutrientes, sem capacidade geradora. Tão FRACO e vazio que não consegue se quer receber novos adubos. Não consegue se reerguer. 

O amor vai tirar ela de você.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mas tem que ser assim

Não sei o que dizer. Na verdade eu não deveria saber o que dizer, afinal. Eu deveria saber. Deveria ter pensando e ter planejado isto. Cada maldito detalhe, cada mínima possibilidade que pudesse me romper, que pudesse se infiltrar. Poderia ter sido previsto. A única coisa com a qual não contava era com você. Daqui a exatamente oito dias a sua voz vai entrar em minha mente, penetrando cada ferida, cada pequena parte de mim que você fez questão de rasgar. Os meus planos irão todos fundir-se com a sua verdade e em pouco tempo eu estarei dominada por algo que não sei como e não sei de onde vem e me arrebata para longe, para três anos e onze meses atrás, quando tudo era azul e o sol brilhava dentro de mim espontaneamente. O que me pergunto na verdade é: eu deveria saber que você me traria tanta dor? Te pergunto e você diz que só sei te culpar. Mas depois de tanto tempo consegui refletir mais tranquilamente sobre. A culpa é algo que não existe. Diante de tantas razões que procurei enco...

Ansiedade, pela última vez

I got a fear, oh in my blood She was carried up into the clouds, high above If you’re there I bleed the same If you’re scared I’m on my way If you runaway, come back home Just come home Não, você nunca me viu falando sobre ansiedade publicamente, nem mesmo escrevendo sobre ela (ou só não estava atento o suficiente). Apesar disso, esta será definitivamente a última vez.  Você pode não ter percebido; passou pela sua mente mas, ao mesmo tempo, foi tão rápido que nem merecia atenção. Mas eu tenho certeza que se perguntou por qual motivo não aceitei o convite para tomar uma cerveja. E estranhou quando, não mais do que do nada, o meu humor mudou da água para o vinho e o clima simplesmente se transformou em algo indigesto. Eu também percebi o seu incômodo quando perguntei várias vezes coisas que, para você, talvez fossem óbvias e em alguns momentos até chatas. Hoje, na verdade, eu deveria estar fazendo outra coisa. Algo que precisa da minha atenção, algo que preciso finalizar. M...

Se cuida, tá?

"Então tá bom, boa noite. Se cuida, tá?". Eu gosto das palavras por muitos motivos, alguns que provavelmente só fazem sentido para mim, e tudo bem. Um deles é o fato de caber tanta coisa dentro de uma única palavra. Já parou para pensar? E dentro de uma frase? Meu Deus! Cabe um universo inteiro e outro e outro, infinitas possibilidades. A gente é meio acomodado e acaba se contentando com o mais óbvio, o mais fácil, o que já está ali mastigado, é só engolir. Eu não. Tem uns dias que o mundo está quieto. Os sons já não são mais os mesmos, nem mesmo os assobios do vento, ou o cair das águas batendo nas pedras. A gente nunca teve que dizer tanto "se cuida, tá"? E ali dentro cabe a preocupação, cabe os medos, a vontade de estar perto, de fazer mais do que consegue fazer quando se está do outro lado da tela, porta, parede, mundo. Tem também muita esperança, uma certeza sem origem conhecida de que vai ficar tudo bem. E vai mesmo, mas a gente fala para tornar verdade. Nin...