terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sweet dream

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Fecho os olhos. Eu ainda posso ver. Seus passos graciosos tomavam conta daquele ambiente. Não sei bem descrever como era, sua delicadeza e suavidade estavam absorvendo toda a minha atenção. Deslizava, para lá e para cá, como a brisa leva com carinho pequenas e frágeis bolhas de sabão.


AH minha doce pequenina. Quem um dia poderia dizer o que carregava em teus olhos. Sim, aqueles olhos. Então eu disse "você está tão linda hoje". Um sorriso bobo e um suspiro que já havia sido dado. Ela por sua vez, parecia não estar conectada, parecia estar em uma dimensão além, superior. Sua pele era branca e suave como uma pétala de rosa. Seus lábios não tinham cor e nem brilhavam como cristal, apenas eram macios e em relevo.


AH minha doce pequenina. Deixe-me aqui, com minha imaginação azul oceano. Deixe-me aqui, respirando teu ar. Ouvindo sua voz e desejando-te imensamente. Ela veio em minha direção. Ela estava tão perto. Ela ia me tocar. Levantou teus pequenos dedos perto de minha face. OH, pareciam pequenos gravetos. O cheiro de sua pele estava tomando todo o qualquer oxigênio que ousara entrar em meus pulmões. Ia senti-la. Por noites e dias de desejos, era naquele momento. Ia senti-lá. Toque-me. Implorei. Toque-me. Uma lágrima escorreu de emoção. Meu coração bateu tão forte que não pude nem diferenciar a dor que senti quando enfim percebi.



BAAAACK!



AH, minha doce pequenina. Você me tocou. Você me levou. E levou mais. E levou tudo. Por quê? De mim, apenas corpo e vida sobravam. Onde estava meu coração? Onde estava você?


AH, minha doce pequenina. Sua valsa abusou do meu ser. Era mais uma manhã de verão. O calor tocava minha pele com selvageria, ardia. Uma vez me disseram que sonhar era perca de tempo. Uma vez eu decidi que você existia. Uma vez, eu sonhei com você. Uma vez, uma vez, uma vez. Você estava aqui, uma vez. Eu a vi. Posso jurar. Em meus sonhos você caminhou. VOCÊ DANÇOU PARA MIM. OH não querida, por favor, não sai dos meus olhos. Você me tocou e agora eu sou seu. Completamente seu. Como faço para voltar? Por favor, me mostre o caminho, por favor, volte. Pensei tantas vezes em você que me esqueci de mim. Onde estou? Sussurrei tantas vezes teus sonhos que agora já não sei por que vivo. Faça-me voltar. Faça-me voltar!



BAAAAACK!



"Pare de sonhar e preste atenção na aula. Teus sonhos não vão te tornar uma pessoa melhor!"



- Obrigada!



AH minha doce pequenina. Porque tu não me contaste? Porque não me contaste que eras, é e sempre vais ser apenas um sonho? Se tivesses me dito, eu não estaria agora, sofrendo. Faça-me voltar. Preciso do caminho de volta. Por favor. QUERIDA!


[...] Ele pediu para ir ao banheiro. O corpo tremia e a vista estava turva. Um. Engole. Mas um. Engole. Outro. Cambaleou. Chegou ao banheiro e suava frio. A caixa de remédios já estava quase no final. O pai bêbado, a mãe depressiva e a irmã viciada agora não importavam mais. Os roxos em sua pele? Amigos na escola. No fundo eles até que gostavam dele. Ou não? Não importava mais. Iria encontrá-la, sabia. Mais um. Engole. O último. Tossiu. Caiu. E dormiu então. Caminhou ao encontro dela. Mas ela... Não passava de um sonho.


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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Diarréia Verbal

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Elas desprendessem da minha garganta como mucos de saliva, recheados com sentimentos inadvertidos. Sinceramente, pouco me importa agora. Estão no meu estômago. Revirando tudo que podem e como podem. Deixam-me enojada. De fato, não literal. Algo está prestes a pular de dentro de mim, como se um gancho adentrasse minha boca e penetrasse em meu coração e logo em seguida fosse puxado com a força de um carro. Lugar errado. Ai meu estômago. Revira. Embrulha. Desperta aquela sensação que meus sentimentos adoram provocar. Aquela coisa, que eu não sei dizer exatamente o que é, mas que me deixa um pouco tonta, um pouco sufocada e muito fora de mim. Preciso de um banheiro. Urgente. Ai! Meu estômago. Analogicamente, coração e mente. Lápis e papel. Obrigada, se é que existe alguém a quem agradecer. Meu banheiro, a escrita. Saiam de perto, não vai ser agradável.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Anjos & Flores




"Ninguém pode te deter, se tiver fé. Lute forte, sem medidas.Não deixe de crer [...]” Dulce – No Pares


“Já não fazia diferença. Aquilo havia a consumido de tal forma que nem ela mesma sabia como e quando havia começado. E a partir dali nada mais poderia ser feito. Algum tempo se passou e ela continuava ali, sentada naquela velha cadeira, observando o tempo ir e vir diante de seus olhos. Continuava ali, remoendo e revivendo momentos que não a faziam bem, momentos que só a matavam, mais e mais, pouco a pouco. Morta para seus sentimentos. Nada ia parar aquela dor, que gritava dentro dela, que sussurrava enquanto dormia que puxava lágrimas de seus olhos. E sempre que fechava os olhos ela podia lembrar, podia sentir e reviver aqueles momentos, aqueles sorrisos, aquelas mentiras. “E como pode? Como pode uma pessoa ser capaz de dilacerar a outra sem ao menos tocá-la?”. Se perguntava. E noite, pós noite, voltava a se perguntar. Já não chorava. As lágrimas em seu rosto haviam secado. A voz em sua garganta continuava presa, o brilho em seu olhar estava fosco. E a única coisa que ela desejava deliberadamente era conseguir seguir, mesmo com dor, mesmo com sofrimento, mesmo morrendo aos poucos. E desejava isso mais do que a própria vida. E mesmo que nunca mais voltasse a amar, nunca mais voltasse a se entregar, nunca mais voltasse a sentir seu coração pulsar, ela gostaria que estar ali, pois ainda haviam pequenas grandes flores em seu jardim. Flores que ela adorava, flores que ela amava e então, as vezes sozinha, sentava em seu pequeno jardim, ainda se perguntava, se havia restado parte de seu coração. Pois o amor que ela sentia por suas flores com certeza era mais importante do que aquele amor venenoso e assassino que a matou. Suas flores, amigos, familiares, colegas ou anjos, como ela gostava de chamar, era o que ainda lhe dava força. E sabia que precisava cultivá-los, sempre e cada vez mais, pois a cada dia, se tornavam mais importantes.”

“Não construa muros em teu coração. O que você faz sempre, faça por amor!
Ponha as asas contra o vento, não há o que perder [...]” ♪