terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Desacelere, take it easy!



Querida, calma. Mantenha esses pés no chão. Não queime todo o gás no ambiente pois nós ainda vamos precisar dele. Diminua o volume da televisão, do rádio, dos fones de ouvido e da sua voz. Eu não vou mentir: honestamente, eu gosto de como você devora nós dois. Em como você nos consome como se fossemos um pedaço de papel. 

A sua intensidade me excita. Me faz lembrar o significado de um dia de verão em pleno janeiro. Você olha dentro dos meus olhos e eu acho que vou derreter, ou me desfazer aos poucos como a lava de um vulcão em atividade. Eu deito na cama e você está em chamas. Às vezes, posso até ver algumas delas emanando desse seu corpo. 

Desacelera, amor. Por quê gastar a vida assim? Abre a janela. Você já viu como o céu está bonito hoje? Como esse tom de azul combina com a sua pele e com o seu cabelo e como você consegue ser graciosa dançando com os raios de sol? Slow down, babe. Me dá um tempo e se dá um tempo. Deixa o silêncio te mostrar o quanto ele pode e quer te dizer. Você vai descobrir que lá é o melhor lugar do mundo. 

Fica quietinha só hoje e deixa o seu pulmão sentir o ar entrar e sair. Fecha os olhos e eu prometo que quando você abrir de novo, eu ainda estarei aqui. Sossega esse coração que vive sempre a mil por hora e quase não deixa você perceber que no fundo, não é nada demais. Que na real, nem existe problema e que às vezes o nosso problema é só perder tempo pensando em como resolver aquilo que iria se resolver naturalmente. Sabe? Eu não vou a lugar nenhum. Não sairei correndo de você e nem me esconderei, porque eu gosto de estar aqui, e você sabe que eu gosto. 

Vem cá, segura aqui a minha mão. Vamos subir aquela montanha devagarzinho. Você nem vai perceber quando chegarmos no topo. E meu bem, lá é tão lindo. Tão calmo. Vamos lá, diminua o ritmo, deixe o vento te mostrar a melhor música o mundo: a da natureza. Permita-se viver, sentir o seu sangue caminhando por cada cantinho das tuas veias. Eu prometo que quando tudo estiver em câmera lenta você vai descobrir tantas coisas, vai ver, respirar e sorrir para tantos momentos. Afinal, um sol nunca nasce antes do outro ir embora. 

Take it easy. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Do you remember?


Para ler ao som de: Mais Feliz - SILVA 

Onde foi que nós nos perdemos? Sentado aqui, nessa maldita poltrona que você me encheu tanto o saco para comprar, eu fico me perguntando em qual das esquinas nós acabamos soltando nossas mãos. Em qual vitrine eu me esqueci de olhar para trás e em qual calçada eu acabei permitindo que você atravessasse sem o meu olhar, que julgo eu, sempre foi muito protetor.

Eu tô tentando fazer um esforço para entender. Eu juro que eu estou. Mas eu sei e você sabe que o conjunto “nós” nem sempre foi descomplexo e isto anda atrapalhando a minha análise. Sabe, o café que eu tô bebendo agora tá super ruim, e eu tô com uma saudade do jeitinho estranho e engraçado que você cozinhava aqui em casa. Tô sacudindo a cabeça pra ver se uma peça chave desse quebra-cabeça se desprende de algum canto escuro e faz tudo ter sentido de novo. Mas não tá rolando.

Eu queria tanto lembrar em qual momento você parou de atender as minhas ligações e em qual momento eu parei de ligar. Quando foi mesmo que nós passamos a só nos encontrar aos finais de semana, já que quando eu chegava você já estava dormindo e quando eu acordava você já tinha saído? Eu tô tentando. Mas eu juro que não lembro.

Amor, eu tô sentindo a sua falta. E eu também estou sentindo uma culpa estranha. Porque sei lá, eu acho que eu não sei explicar se essa falta é de amar você ou é da monotonia que nos tornamos. Se eu te falar, talvez você não acredite. Mas nos últimos meses eu tenho flashes de “nós”. Eu sempre soube que você estava aqui e eu sei que você também sempre soube que eu estive aqui, mas alguma coisa no meio do nosso caminho quebrou, e ou você ou eu acabamos escorrendo para um buraco muito fundo e agora ou eu estou perdido ou eu não consigo te encontrar.

Nossa, que droga de café. Sei não, mas aí, se de repente você estiver de novo vendo aquele vestido estranho na vitrine daquela loja que eu nunca  mais vou lembrar o nome, me liga, me chama, porque acho que no fundo eu só tô precisando ouvir a sua voz. Eu acho que antes de você dizer “Tô indo embora”, eu até sabia do que tava se tratando. Mas depois que o lençol esfriou eu meio que ando num estado alucinado. Flutuando na minha própria realidade.


Então, se você lembrar, liga pra mim e me faz lembrar de novo como é te amar, porque tá foda sem você.