quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Das Loucuras de Se Amar mais de Um



Limitações. Se pudesse definir uma palavra para o que eu enxergo atualmente nas pessoas, na vida delas e no restante do mundo, usaria esta: limites. De certa forma, me sinto bastante incomodada em perceber como as pessoas são capazes de delimitar-se e traçar uma linha de “segurança” para tudo e qualquer coisa em suas vidas. Tudo é errado demais, arriscado demais, estranho demais. Quando penso nisso, penso indiscutivelmente no poliamor. A capacidade que alguém tem de amar e oferecer amor para mais de uma pessoa. O contrário de monogamia.

Há tantos anos tentam definir o amor, encubá-lo em uma definição que seja a mais apropriada, ou a mais correta e todas as tentativas falhas. Mas, uma coisa as pessoas enchem a boca para gritar com certeza: só pode existe amor entre duas pessoas. Não! Eu sei que boa parte dos indivíduos no mundo não acredita no poliamor. Não consegue entender o como alguém pode permitir “dividir” quem ama.

Muitos, costumam confundir tudo isso com “ménage” (a prática do sexo entre três ou mais pessoas), mas diferentemente do que se acredita a prática do amor em trio ou mais, não está apenas relacionada ao sexo. É, na verdade, bem mais do que isso. É sentir que o coração funciona como um tripé, que quando uma das três partes não está, fica incompleto, incomoda, desajusta. É dormir e acordar na mesma cama e ter vontade de beijar duas (ou mais) bocas e dizer “eu te amo” com a certeza de que é real, de que é tão fundo e verdadeiro como qualquer outro tipo de amor.

Outro dia, assistindo um documentário sobre o tema, ouvi uma mulher ser questionada: “Como você consegue amar os dois, igualmente, ao mesmo tempo?” e ela respondeu algo como: “Como você conseguiu amar seu pai e sua mãe, igualmente, ao mesmo tempo”. E é exatamente isto. A analogia para mim, não poderia ser mais perfeita. Você já pratica o poliamor desde que se entende por gente, e sem ter a mínima noção do que é isso.

Doar-se a uma experiência como essa pode parecer loucura, eu sei. E em muitos casos podem haver diversas teorias de como “eles” vão acabar um morrendo de ciúmes do outro e brigando e se matando e finalmente, terminando. Mas eu tenho fé neste modo de vida. E sempre achei que o problema dos outros casais era não tem a mente tão aberta a ponto de se permitir apaixonar por outras pessoas e viver isso sem restrições. Se existe algo que hoje, para mim, que define o amor é a palavra: ilimitado.

Texto publicado na Revista OUTING: Limitações

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Hoje não.


Querido você

Hoje eu me sinto saturada. Colorida com apenas uma tonalidade. A cor que toma conta de mim ofusca até mesmo meus próprios olhos, quando me atrevo a olhar meu reflexo no espelho. 

No meio do dia eu senti a angustia de transbordar a sua presença. Como se cada pedaço de mim, cada célula que compõe meu corpo emanasse VOCÊ. Resolvi tomar um banho e por mais que eu esfregasse minha pele, a consciência de que você estava lá e não sairia, não me deixou. As vezes eu penso em como vai ser amanhã. Em como seria uma vida onde eu pudesse respirar sozinha, sem precisar da luz ou da sombra de qualquer outra coisa ou pessoa. 

Refletindo um pouco, de vez em quando, sinto que nunca caminho com minhas próprias pernas; numa dependência de sei lá o que ou quem, tão absurda que chega a me irritar. 

Olha, não é contínuo mas hoje eu cansei de nós.


Com amor, eu.

domingo, 8 de setembro de 2013

"Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo"*


Das condições que a vida te dá para seguir algum caminho, você sempre é frustrado por ter que desistir de algo ou alguém, ou por ter que escolher isto ou aquilo. A plenitude nunca é. Ela só parece. E bem às vezes por sinal. E a gente tá sempre sendo guinado por essa sede de tudo, de tudo ao mesmo tempo e no mesmo lugar. 

Na minha cabeça (já que do meu coração eu desisti), ser feliz já algo complexo e intenso demais para se juntar ao que a gente chama de "amor". Amor é uma dose de droga que se parece muito com felicidade, se veste e dança. Te confunde, te ilude. Você tá sempre insatisfeito, tá sempre com a sensação de que precisa de mais e mais doses daquela porcaria. Até que vem a abstinência; Eu não vou explicar, porque quem já sofreu de falta de amor sabe bem como essa dor é inexplicável e se sentiria até ofendido ao ler a minha ridícula tentativa de descrição. 

A felicidade é um sentimento solitário, independente. Você não sofre por não estar feliz, você apenas não está. E isso não significa que você está triste ou mal, entende? E tudo bem por isso, ok? Não existe espaço dentro do coração e do cérebro humano para se amar e ser feliz ao mesmo tempo. Concordem, ou discordem. Resmunguem ou não. Fatos são fatos e mesmo quando não são, um dia, uma hora, com alguém ou sem alguém, eles se tornam.


*"Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo", livro de Myrna, pseudônimo de Nelson Rodrigues.