domingo, 26 de maio de 2013

Dor de Choro


"Eu só preciso de alguém que me abrace e diga que entenda. Que entenda como é se sentir sozinho. Como é se sentir perdido e desamparado, sem saber pra onde está indo, por que está indo ou mesmo quem está ao seu lado. Alguém que entenda como é absorver  tudo o que sente tão desesperadamente e ser corroído por todas essas impressões, por  toda sensibilidade. Que entenda como é ter vontade de se desfazer nas lágrimas que  represa todos os dias - por medo, tristeza, dor. Alguém que vai me fazer acreditar de  novo, que vai abrir a porta desse quarto bagunçado e, ao invés de fechá-la novamente,  vai entrar, abrir suas janelas para a luz do sol e tirar a poeira de cima das esperanças,  dos sonhos, dos desejos."  
Larissa Mattos

Provavelmente já passava da hora do almoço quando ela, finalmente, fez um movimento em cima do colchão e debaixo dos cobertores. Não havia acordado naquele momento. Na verdade, tinha dúvidas até de se tinha realmente dormido aquela noite. 

Abriu os olhos com um pesar melancólico. E até com um pouco de raiva, diria. Fitou o teto do quarto que não era o seu e todas as outras coisas ao redor. Não soube de imediato dizer aonde estava mas, sinceramente, não interessava. Inspirou profundamente e sentiu um incomodo dentro do peito que, de certo não era físico. Era aquela dor de choro, sabe? Aquela agonia irritante que amarga nossa boca. 

Puxou com dificuldade os tecidos que aqueciam seu corpo e permitiu que o frio tocasse sua pele. Talvez uma maneira de compensar a outra dor. No fim das contas, não adiantou. Na verdade só piorou. Agora estava com frio e com vontade de chorar, grande merda. Mesmo assim não voltou a se deitar. Sentou-se na beira da cama e mais uma vez puxou o ar de dentro dos pulmões que pareciam preguiçosos ou talvez fossem apenas um reflexo da verdadeira vontade dela. 

Alisou as pernas como se quisesse esquentar as mãos e baixou o rosto em direção aos joelhos. Procurou forças e motivos para sair daquela posição mas definitivamente não estava afim. Correu os dedos finos pelo cabelo sujo da noite anterior e desejou ter coragem para se levantar e tomar um banho. Mas, apenas desejou. Correu a língua pelos lábios secos e mordeu o inferior, querendo inocentemente sentir o gosto de sangue, mas nem pra isso tinha forças. Olhou para o lado, levantou o dorso e esticou uma das mãos. Puxou sua fantasia e vestiu aos poucos. E devagar foi se compondo, se desenhando, se fazendo ser àquela que todos conheciam/queriam. Juntou todos os pedaços de si dentro daquele invólucro invisível e finalizou com sua máscara. Sorrindo

Era até engraçado sabe? Ela era engraçada. Não sei se porque vestia uma máscara todos os dias para sair ou se porque representava muito bem, ou se porque era realmente confusa e difícil de entender. Minha mãe sempre diz que quem muito escolhe acaba sem nada. Ou que quem quer tudo, também acaba sem nada. Ela dizia amar e gostar de todas as pessoas, no melhor e maior sentido. Mas estava sempre sozinha...sempre à mercê. Mas sei lá... ela é ela né?!

Eu só tô contando a história de uma menina que eu conhecia. Ela era triste, e sorria. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Questão de Idade



Estaria mentindo se dissesse que nunca imaginei como seria ou como será a minha vida daqui a alguns anos. Na última semana e na atual, algumas coisas me chamaram a atenção para a maneira como, não só eu, mas as pessoas no geral têm vivido suas vidas.

A primeira delas foi quando, enquanto assistia a um filme numa aula de Jornalismo e Literatura da faculdade, me deparei com uma personagem engraçada. Negra, magra, bonita, usava roupas bem curtas e tinha uma atitude forte no olhar. Ela questionava o porquê ou como, as pessoas conseguiam passar o dia inteiro nas ruas e não olhar para o céu. Não reparar na beleza que ele, sozinho, pode proporcionar. Além disso, ela falava o quão importante é se amar. Amar o que você é e como você é antes de tudo e todos.
A segunda foi hoje. Encontrei uma movimentação diferente na internet. Inúmeras pessoas, incluindo amigos, compartilhando um texto que trazia 25 coisas para se fazer antes dos 25 anos. Eu, particularmente, li a lista com um aperto no coração absurdo. O fato é que, já tenho quase 20 e pouquíssimas das coisas que havia lá eu já fiz ou tenho pretensão de conseguir fazer. Minhas desilusões a parte, analisei as coisas que li e percebi que muitas delas são uma pura e simples questão de desligar o dublê que há dentro de você e “se ligar”. Tornar-se o protagonista.
Não diz respeito ao fato de ter ou não feito 25 anos. Vejo pessoas todos os dias, vivendo suas vidas, completamente desconectadas de si mesmas. Totalmente alheias ao restante do mundo. Sinceramente, isso me entristece, porque como eu disse, não significa ter ou não certa idade, significa: quando você vai decidir viver?  (No sentido amplo da palavra).
Daqui três, cinco, dez anos, eu não sei o que eu imagino. No momento eu só posso contar o que desejo, e desejo mesmo que os meus planos deem certo. Desejo que os números que joguei na semana passada saiam na loteria. Desejo infinitamente que aquele cara que eu beijei dois dias atrás na balada possa ser o homem da minha vida, ou não. As coisas que quero fazer também são incontáveis, quero sim, como na lista, parar de me odiar e odiar o que encontro no espelho todos os dias pela manhã. Quero conseguir manter a capacidade que desenvolvi de expressar os meus sentimentos. Quero as pessoas que amo, amigos, colegas, e até os desconhecidos que sorriem para mim na rua ou na festa da faculdade, estejam presentes no meu futuro.
Mas, antes de tudo isso quero que o amanhã chegue, e que eu tenha a oportunidade de me dizer: “hoje vou me permitir viver mais um dia”. Gosto dessas promessas de segundas que nunca se cumprem, mas sempre estão lá. (Sabe? Tipo aquelas: amanhã vou começar uma dieta rigorosa, e no final não dura nem três dias). Gosto de ainda ter um, dois, ou três, ou vários itens da lista para checar; assim a vida se torna mais longa, mais prazerosa, mais gostosa. E que se danem os vinte e cinco anos… eu vou ter quinze para sempre!