quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Starting From The End


Soulmate - Natasha Bedingfield ♪

Fechar os olhos parece ser a maneira mais fácil de chegar lá. No ponto onde dói, onde machuca e incomoda. É difícil até para mim que estou acostumado com as palavras, descrever o que sinto. Taí uma mistura de angustia, confusão e paixão. Três pequenas coisas que se tornaram tão grandes em questão de horas que, no momento, acho que não sei ser e não consigo ser mais nada além disso: angustiado, confuso e apaixonado. 

Da última vez pensei comigo que talvez nunca mais fosse deixar alguém colorir o jardim onde ela andou. E por muito tempo foi tranquilizante acordar todos os dias com a certeza: "eu nunca mais vou amar ninguém". Porque junto com essa certeza eu sabia (ou achava que sabia) que a dor estava longe. Num lugar escuro e sombrio, afastada do meu tão rasgado e maltratado coração. 

Mas daí um dia eu acordei com medo. Medo de ser verdade. E se eu nunca mais voltasse a ser capaz de sorrir porque a outra pessoa sorriu? E se eu não conseguisse mais sentir o sangue quente e borbulhando só de ver a pessoa se aproximando? Como seria nunca mais amar? Então eu entendi: meu medo na verdade era nunca mais ser amado. É simples, eu explico: ela teve todos os defeitos, ela foi a pior pessoa, mas amou. Me amou. Do jeito errado e mentiroso dela mas amou e me fez feliz. O medo era não reconhecer mais essa felicidade. 

Mas um temor é sempre vencido pelo outro e eu temia muito mais amar do que não ser feliz. Dói mais sofrer do que estar sozinho. Eu acho pelo menos. É, porque na altura do campeonato que eu estou "amar e sofrer" tem muito mais em comum do que só o fato dos dois serem verbos. 

Essa confusão e temor me tornaram uma pessoa que sorri par amim no espelho e que dorme comigo mas não sou eu. Essa pessoa é fria e sistemática. Ontem eu acordava imaginando como seria bom começar algo com alguém e degustar dos mares profundos que encontraria em seus olhos. Hoje acordo pensando em como vai acabar. Em como "eu e você" vamos ferra com tudo e como isso vai me rasgar de dentro para fora, me destruindo ou te destruindo. Imagino como vou me sentir novamente a pior pessoa do mundo, e em quantos copos de bebida eu vou afogar você, seus beijos e as vezes que disse que me amava. Penso em quantas lágrimas vão precisar cair até eu me sentir seco de novo. E quantas bocas e corpos eu vou ter que beijar e acariciar só para lembrar a mim mesmo que e é a porcaria do seu corpo que eu quero e a porra dos seus beijos que eu espero. 

Fecho os olhos e parece a maneira mais rápida de chegar lá. No fim terrível que "eu e você" teremos. Daí quando abro eu penso que é melhor que "eu e você" não exista. Mesmo que só "eu" seja muito egoísta e medroso da minha parte. Mas, o problema é que tudo isso está só na minha cabeça, porque enquanto eu escrevia esse texto você já veio e eu, já me apaixonei. Que droga! 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Confortavelmente familiar"



Perfumes. Sempre gostei de perfumes. Para mim os cheiros são a maneira mais rápida, fácil e confiável de saber se gosto de algo ou não. Chego perto, respiro bem fundo, fecho os olhos e pronto. Ou amo ou não. Eu tenho algumas definições para "cheiros" que não são, e nem pretendem ser, convencionais. No seu caso, você cheira a tudo aquilo que eu sempre procurei em alguém. É difícil de definir porque são tantas coisas. Enebriantes como perfumes franceses. 

Não foi muito diferente do que costuma ser. Eu cheguei perto, fechei os olhos, respirei bem fundo e pronto, já estava apaixonada. Apaixonada sim! (Sem parar para respirar) Sabe aquele amor ou paixão instantânea que vem dilacerando cada parte do seu peito, engolindo cada lágrima, transformando e ajustando cada respiração? (Pausa. Inspiração profunda). Foi assim, desse mesmo jeitinho que você fez. Meu coração acordou de um sono preguiçoso e despreocupado e copiou o seu sorriso: sempre tão doce e acolhedor, e por vezes tímido também.  Eu tinha a sua mão junto da minha e seus olhos para me proteger e sinceramente não conhecia nenhuma outra maneira de manter meus fantasmas em silêncio, quietos, e adormecidos. 

Certo dia você me levou para cortar os pulsos, e ouvi alguém dizer que nós, na verdade não procuramos algo diferente que nos complete e sim algo que seja "confortavelmente familiar". Esta é a maior verdade que já ouvi desde que te encontrei. Porque ela é perfeitamente ajustável a você, ao que significa para mim e ao que eu vejo desenhado nesses olhos tão azuis e vibrantes. Você é a metade igual a mim que não se encaixa, e dane-se se não se encaixa porque é por isso que damos certo, é por isso que é tão especial e é por isso que bate. Bate forte, grita, escandaliza. Sabe? As vezes o meu coração grita seu nome tão alto que é impossível me manter quieta. É deliciosamente sufocante. 

Hoje você me disse que estava bipolar e acho que você seria capaz de relatar durante horas o quanto odeia as situações em que a bipolaridade te coloca. Sim... não acho, eu tenho certeza disso. Mas veja, meu anjo, meu amor, meu bem... nós somos capazes, na condição de seres humanos, de manter dentro de nós sentimentos duais, coisas que acontecem intensamente, e se entrelaçam, se encontram, se confundem ao mesmo tempo e isto não é culpa sua, ou minha, ou nossa! Faz parte. As vezes mais, as vezes menos em outras pessoas, mas isto está sempre presente e quer saber? Eu gosto de você assim, do jeitinho que você é, bipolar mesmo. Uma hora rindo, a outra chorando. Gritando, e pedindo silêncio. Calmo, e nervoso. Odiando e amando. Entende? Porque não importa em qual situação se encontrar eu me manterei aqui. 

Mesmo que você deixe de me amar, mesmo que você me peça para ir embora, mesmo que o sol não volte a nascer, mesmo que você me faça chorar, mesmo que me diga adeus, mesmo que eu não possa mais olhar o azul dos seus olhos e lembrar da calma que eles me trazem, mesmo que a angustia de te ver sofrendo seja maior do que a força que eu tenho, mesmo que eu não acorde amanhã e mesmo que eu não sinta mais o seu perfume. Eu me manterei aqui, mesmo assim. Eu te amo Vinícius Costa e a sua felicidade é condutora da minha. 





segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tears Dry On Their Own




Espalhafatosa. Eles diziam que ela era muito ES-PA-LHA-FA-TO-SA!

Ambiciosa. Inteligente. Cativante. Carismática em excesso. Aquele momento onde você percebe que o ótimo não é tão bom assim e que é preciso escalar além do topo, chegar onde seus olhos não conseguem ver porque o limite não é suficiente. 

Esforçada. Educada, uma graça. "É o que nós precisamos(...)" — diziam os olhos. Mas as palavras desmentiam. Duras palavras. Pode dizer que é bobagem enquanto não forem os seus tornozelos que são quebrados. Pode dizer também: "Aguente, levante, tente de novo(...)", até que um dia chegará a sua vez e tenho convicção que ouvirei "Não consigo, não sou bom o suficiente". E eu posso até não lhe dizer nada, mas vou pensar "Entende agora?". 

É fácil ser o melhor onde ninguém é ao menos bom. Assustador é entrar num lugar onde você é bom e todos os outros são melhores. 

domingo, 8 de abril de 2012

Just close your eyes and feel

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Eu fechei os olhos e lá estava você, arrancando o meu libido com um simples passar de pés. Definitivamente, você não fazia o meu tipo mas era discutível o que estava acontecendo comigo naquela semana. Eu poderia basicamente ter chegado em você e ter dito: "Ei, posso fazer isto melhor". Sim eu poderia, se. Se você não fosse todas as pessoas. 

Cabelos, lábios, cheiros tudo me deixava em transe. Tentava controlar todos os sinais que meu corpo imitia compulsivamente mas era inevitável desejar minhas unhas descompassando a sua respiração. Então eu levantei e sem saber exatamente quem guiava meus passos, me afastei do perfume da sua pele. A ponta dos dedos se confundiam dentro do bolso do meu jeans a procura de um cigarro e em seguida do isqueiro. Com os pensamentos a flor da pele me encostei numa mureta que fazia um pouco de sombra, livrando-me daquele sol quente que insistia em piorar a minha situação. 

Tive a impressão de ter dado duas tragadas naquele pedaço de papel e toxinas e no segundo seguinte lá estava você com dois copos de St. Remy nas mãos me oferecendo um pouco menos de sanidade. Meus olhos se recusaram a encontrar os seus mas os lábios amigavéis sorriram e você retribuiu. Escoramos naquele muro e o copo não durou mais de três minutos, em compensação a sua voz dentro da minha mente parecia que não ia sair nunca mais. Durante toda conversa eu me mexia para lá e para cá como se procurasse um jeito mais confortável de sentar, mas na verdade estava simplesmente tirando minha atenção do tesão que você conseguia me provocar descaradamente. Será que você sabia disso? Pensava. Claro que sabia. Concluía.

Seu sorriso conseguiu rasgar toda e qualquer noção de perigo que ainda restava na parte sóbria de mim. Lhe estendi a mão e você repetiu o favor, levantamos e ficamos ali rindo feito idiotas de coisas mais idiotas ainda. Encostei nos tijolos para que a tontura que tomava conta do sangue não me derrubasse e talvez você tenha entendido errado, do jeito certo. O fato era que uma das suas mãos estava na altura do meu rosto e seus dedos tocavam o cimento que cobria os tijolos cinzas, enquanto a outra subia pela minha nuca por dentro do meu cabelo. Seu corpo estava chegando perto, perto demais para me deixar de olhos abertos. Ia dizer algo mas você foi mais ágil: "De repente me deu uma vontade de te beijar...", mordi seu lábio antes de suas palavras se concluírem e senti você pressionar minha pele, percebi sua respiração diferente e coloquei as duas mãos em sua cintura te trazendo mais perto. Levantei sua camiseta e apertei sua pele com a unhas com tanta vontade que você ofegou na minha boca e eu suspirei satisfazendo-me. Seu beijo demorou e me tirou do chão com a facilidade que uma pluma ganha voo.

Podia sem nenhum problema ficar ali o tempo que julgasse preciso até porque precisaria de vários minutos para matar aquela vontade de você. Os pensamentos se embaralhavam dentro da cabeça e se perdiam junto do efeito do álcool que predominava em meu sangue. Seus lábios agora em meu pescoço me permitiam uma respiração mais calma e controlada; as pernas tremiam, as vontades diziam, vem, vem... tremendo. Você parou e consegui te ouvir rindo baixo, você sussurou: "Olha pra mim..." e tive razão, tive medo. Eu tive medo por uma razão. Abri os olhos... 

Todos estavam dançando naquela pequena saleta escura. O chão tinha o desenho de uma tábua de xadrez. No teto bolas que mudavam de cor conforme aquelas luzes interessantes passeavam. O som estava alto, alto demais para eu perceber que você não estava ali, alto demais para perceber que você era todas aquelas pessoas e que aquela música tinha o poder de segurar todas elas com uma mão só e tirar tudo e só o que eu queria delas, prazer, sorrisos e um pouco de insanidade. O DJ não sabia, mas tinha acabado de me dar uma passagem de ida para os rios que eu seguia, onde tudo era permitido mas nada era obrigatório. 


♫ Lykke Li - I Follow Rivers