quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mas tem que ser assim


Não sei o que dizer. Na verdade eu não deveria saber o que dizer, afinal. Eu deveria saber. Deveria ter pensando e ter planejado isto. Cada maldito detalhe, cada mínima possibilidade que pudesse me romper, que pudesse se infiltrar. Poderia ter sido previsto. A única coisa com a qual não contava era com você. Daqui a exatamente oito dias a sua voz vai entrar em minha mente, penetrando cada ferida, cada pequena parte de mim que você fez questão de rasgar. Os meus planos irão todos fundir-se com a sua verdade e em pouco tempo eu estarei dominada por algo que não sei como e não sei de onde vem e me arrebata para longe, para três anos e onze meses atrás, quando tudo era azul e o sol brilhava dentro de mim espontaneamente. O que me pergunto na verdade é: eu deveria saber que você me traria tanta dor?

Te pergunto e você diz que só sei te culpar. Mas depois de tanto tempo consegui refletir mais tranquilamente sobre. A culpa é algo que não existe. Diante de tantas razões que procurei encontrar para tudo, para mim, para você, para nossas vidas, de repente eu me perguntei e se “tivesse de ser”? E se fosse isso mesmo? E o que teria acontecido se não tivesse sido você? Tento me recordar de algum vestígio de mim antes de você, e com a mais franca sinceridade nada me vem à mente. Não quero mais falar sobre isso agora. Ainda me censuro pelo teu gosto. Sei que odeia quando começo, e eu odeio começar algo que você odeia, de fato. Mas eu preciso. O que queria que você entendesse, ou ela entendesse é que eu não culpo ninguém. Mas odeio o que aconteceu.

Quando me deitar, as tuas mãos acariciarão o meu rosto e eu sentirei vontade de sorrir. O cheiro da sua pele empreguinará os meus sentidos como se me acorrentassem a ti. E você me mostrará aquele filme que costumava nos divertir. E eu não sei se poderei secar toda a água desta casa, porque chove quando você está aqui. Chove tão forte que não posso ouvir a minha razão. Então eu adormecerei e sonharei com você. E quando acordar estarei completamente vestida com tua dor, de fato será o seu plano? E então, finalmente o meu inferno começará. Mais uma vez. Eu sei.

“Vozes alheias a mim sussurram coisas que sinceramente não entendo e não quero entender. Elas me dão medo. O meu coração dói, como se alguém pudesse segura-lo com a própria mão e apertá-lo até que pudesse parar de pulsar. O sangue em minhas veias corre tão rápido que não consigo lembrar de como é respirar. Minhas pernas não me obedecem e o cansaço do meu corpo também não me ajuda. Algo que está em minha barriga sobe com força por dentro de mim e então percebo que são lágrimas, as quais jurei nunca mais derramar. As quais em cada uma delas, um sorriso teu vai embora, um ‘eu te amo’ perde o rumo, pequenos pedaços de mim se dissolvem e mais uma vez umedecem minha pele. Os gritos então saem, desesperados, atormentados, implorando para sair daquele pesadelo, rogando a alguém, se este alguém existir em algum lugar, para que isto passe logo. As horas passam e dos dedos se contorcem como se cargas elétricas fossem descarregadas incansavelmente naquele corpo. E quando mais nada enfim funciona, as lágrimas secam, os gritos cessam, e o desespero desaparece apenas aparentemente. (...)”

E neste ponto, eu preciso de você, aonde quer que você esteja, eu deveria saber! Mas preciso que me salve, me tire deste lugar, me diz que aquelas palavras não saíram da sua boca e que os pesadelos passarão quando nós acordamos. Quando me deitar, inexpressiva, saiba: a guerra começou mais uma vez, porém muito pior, uma vez que ela se fundiu ao tempo e agora acontece dentro de mim.

“(...) Os olhos percorrem meu quarto de um lado para outro vendo sem enxergar. A dor? Ainda está lá. Dilacerando o que um dia pensou ser um lindo sentimento. Um saudável coração. E o maldito tempo passa tão arrastado que dá impressão de que gosta, de que sorri ao ver. Contudo, ele passa. E não deixa nada além de ruínas. E depois de quase duas luas sem voz, a única coisa que consigo dizer é: eu nunca mais voltarei a amar ninguém. Porque o amor, não existe.”

Percebe? Não existe culpa. Depois disso, é a velha história, que nunca fiz questão de te contar. O nome disso, não é amor. O nome disso não é ódio, e muito menos indiferença. O nome disso é vontade. De poder ter feito diferente. Depois disso, eu me reconstruo a custa da esperança, de que um dia você saberá que quando chove, eu choro.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Fierté, le désir et l'amour


Você realizou meus sonhos sem nem sequer saber quais eram eles, carrega dentro de ti o maior de todos. E eu nunca vou cansar de repetir que sou o cara mais realizado do mundo porque te tenho comigo, de um jeito ou de outro. Porque perco horas de sono admirando o seu rosto ou o seu jeito lindo de me fazer sorrir. Eu posso ter errado com você ou até não ter dado o devido valor, mas saiba que você nunca saiu de perto da minha cabeça e nem do meu coração.

(Matheus Carvalho Flor - 2009)