quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Compulsão Alimentar



Não adianta negar. Todo mundo sofre um pouco com isso. Pode ser que não a todo momento, mas uma hora acontece, é inevitável, não adianta tentar fugir ou fingir que não é com você. Cada um de nós amarga uma coisa que eu decidi chamar de compulsão alimentar. 

É aquela necessidade de preencher alguns dos nossos sentimentos com alguma coisa. Qualquer coisa que possa fazer com que nós possamos nos sentir vivos, ou pelo menos, perto disso. Algumas pessoas preferem acreditar que esta, é uma forma pessimista de entender e reconhecer certas coisas que moram dentro da gente. Mas não tem como fugir, e eu posso te contar o porquê.  

Não importa se o que você sente é algo triste ou feliz, nós sempre iremos procurar uma maneira de realizar a manutenção dessas sensações. Mandar uma mensagem de boa noite todos os dias e receber um emoticon amarelinho sorrindo como resposta pode ser suficiente para alimentar aquela se sensação de "tudo bem, pode dormir, amanhã é outro dia". E ao mesmo tempo, quando a dor é presencial, basta uma visita na página do facebook dela ou dele. Uma foto, um perfume, até mesmo alguma cena cotidiana na rua consegue nutrir aquela sensação devastadora que vai corroendo tudo dentro do peito como um rastro de ácido. 

Você pode até dizer que não concordar comigo agora, mas, nós no fundo gostamos um pouco de saber que não somos nulos. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que não importa o que você sente, com o tanto que sinta. Não importa se é um sorriso ou se são lágrimas, o que importa é que lá dentro, seu sangue continua correndo, rápido ou devagar, você querendo ou não e isso, na maior parte das vezes é o suficiente para não desistir.

Eu tô falando daquela vontade absurda de ocupar cada espaço vazio dentro de algum lugar do nosso corpo ou alma que não pode, de jeito nenhum, ficar vago, porque o vazio dá medo. É por isso que quem é feliz por muito tempo não sabe o que fazer quando isso simplesmente "acaba", cê fica aí numa busca tão intensa, numa compulsão tão forte que vai comendo, engolindo, enfiando tudo que acha pela frente que pode prolongar essa sensação boa que nem se dá conta que as vezes, nem precisava mais e quando acaba o amor ou a felicidade, vira aquele apartamento frio, sujo e bagunçado, sem móveis, sem moradores, só você, o vento e a sujeira. E é por isso também que quando a dor vai embora, dá medo de sair comprando os móveis novamente, dá uma agonia de habitar, de conviver de novo. A gente custa a ceder, a dar meia volta e comprar aquele quadro pin up bonitinho que super vai combinar com a sala porque o clean parece tão mais seguro para quem já teve que reformar tudo. 

Então, não tem jeito, eu sei que não é fácil de admitir, mas é melhor se você o fizer. Eu acredito que a consciência é uma das formas mais respeitosas de felicidade ou tristeza. Quando nós entendemos como chegamos ali e como nos mantemos, tudo parece mais duro, mais rígido, porém, muito mais real e menos doloroso. Eu não acho que quem sofre ou quem é feliz tem que ter vergonha de admitir que usa coisas ou momentos bobos para manter seus sentimentos vivos, nós somos assim.

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