Os dias tem sido ensolarados, o vento é apenas uma brisa fresca que toca o rosto atrás das grades nas janelas. Há alguns dias eu estava me lembrando do cheiro que o mar tinha na última vez em que o ano virou. Eu gosto muito do mar, gosto do som, da textura da água, da temperatura e do gosto salgado que deixa na pele. Essa brisa que agora insiste em romper a regra do afastamento nada se compara àquela que sinto quando os meus olhos se fecham diante da imensidão oceânica. O novo ano veio com as promessas clichês, os risos sem motivos, os planos inflamados e o coração cheio de vontade dela. Os beijos, o toque, as vezes em que fizemos amor, o calor, tudo isso foi transformado em gasolina e eu sou o carro. As lembranças me alimentam na tentativa ininterrupta de pensar em dias melhores. Alguma coisa nos obrigou a apertar o botão pausar. Sinto como se todos estivéssemos sendo colocados em uma prova de resistência, onde as únicas pessoas que sobrevivem são aquelas com capacidade...
Uso as palavras para compor meus silêncios.