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Eco. Eco, frio.



"Ei, boa noite. Eu não queria assustar não. É que tava olhando de longe o seu amor. Tava olhando como, mesmo confusa você parece tão completa, tão suficiente. Eu não sei o nome dele, mas eu sei que é essa a palavra o motivo do sorriso lindo que estava enfeitando seus lábios antes de eu chegar. Não se assusta não. Eu tava achando bonito observar como você olhava pra ele e como ele olhava pra você. Eu só criei mesmo coragem pra atravessar a rua e falar contigo porque achei que não era direito meu negar de você as coisas que eu refleti sobre tudo que vi. 

Muito prazer. Eu sou um coração partido, em pequenos pedaços espalhados já não sei por onde. O vão dentro de mim é tão profundo que se você gritar daqui da porta vai achar que existem milhares de vocês aqui dentro. Um eco, eco, eco... um vazio, vazio, frio. É tão gelado por aqui, que eu acho que já me acostumei. Sabe quando dói tanto ou incomoda tanto que até adormece, pois é. Tô num sono profundo a tanto tempo que eu nem sei mais se dói de verdade. 

Mas eu não vou te incomodar mais não. Só queria falar que tava tão bonito olhar seu amor de longe que por uns minutos eu achei que fazia parte da sua história. Tão intensa e imprevisível que eu nem ligaria se fossemos um livro e eu apenas um personagem descartável, já ia ficar satisfeita só de dizer: oi, eu não tenho uma história, mas faço parte de uma, e isto, por hora... deveria bastar. 

Moça, dá licença viu? E desculpa de novo. Ah, e cuida dele. E deixa ele cuidar de você. A coisa mais triste do mundo, é ter tanto espaço para dar calor e não ter ninguém para aquecer. Boa noite viu?"


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