Pular para o conteúdo principal

Postagens

Recuar

"Do brinde restou a mentira: talvez tudo termine, sim. Em entrelinhas ou não, talvez tenha faltado dizer: amo-te e, não como os demais, que já passaram por essas minhas páginas em branco, talvez eu tenha te dado muito; talvez fosse eu quem ultrapassou as expectativas numa curva côncava, ascendente, e não esperei." Rodrigo Vignoliem Nunca havia tentado mas, desta vez, sabia que precisava demolir as paredes acústicas da alma e deixar o som dela se mesclar com a razão, que gritava e implorava por espaço. Nem sabia se queria, só sentia que precisava. De uma urgência que só se explica no inconsciente das almas inquietas, como era a dela. As palavras saiam de sua boca como pequenos pedaços de algodão mas, voltavam ao seu coração como gostas de ácido, que na dose certa causam apenas cicatrizes doloridas e permanentes. Deformam, transformam, desenham e nos pertencem. O amor não é doce? Ela vendou os olhos para não se ver no espelho. Decidiu pela primeir...

Laringe

Para ouvir ao som de: Okinawa - SILVA  Sempre gostei de guardar todas as minhas coisas. Principalmente as materiais. Em especial aquelas que me remetiam à algo ou alguém. Minha mãe me chama de guarda-tralhas mesmo depois dos meus vinte anos e ainda assim, não consigo me incomodar ao ponto de me livrar destes fragmentos de lembranças. Contudo, se existe algo que não consigo guardar são sentimentos. Quem me conhece sabe da minha teoria da corda bamba. Não faço show para pouca platéia e nem gosto de andar em corda bamba. Não subo no picadeiro se não for para voar e não desço se não for para viver.  Outro dia vi um símbolo engraçado, te perguntei o que era e você me explicou que representava a nossa laringe. A nossa capacidade de não guardar as energias em nossa garganta. A necessidade de colocar tudo para fora, expressar o que sentimos mesmo que não seja tão bonito. Mesmo que não seja feliz. Eu acho que desde que me conheço, sempre fui melhor escrevendo do que fal...

Carnavália

Para ler ao som de: Carnavália - TRIBALISTAS Eu juro que não lembrava mais. Não lembrava mais de tantas coisas que acho que minha mente já havia se tornando um limbo de emoções felizes. Um verdadeiro espaço escuro, onde tudo que eu achava que me fazia bem estava guardado. Coberto de poeira e um cheiro de mofo absurdo. Eu não lembrava mais qual era a sensação da luz batendo no rosto ou do vento passeando entre os fios do meu cabelo. Não lembrava também que textura tinha o som doce de uma voz agradável. Todas essas memórias empíricas haviam se perdido em um tempo frio e barulhento, cheio de tormentas de amores e dores passadas que nunca se fecharam de verdade. Nunca morreram dentro de mim. E eu não queria que morressem. Prefira que ficassem ali, se alimentando de tudo de bom que pudesse se aproximar. Preferia sentir a dor do que não sentir nada. A minha aversão pela indiferença me deixou blindada.  Você atirou uma pedra contra mim. Sua pedra...

Acabou

Tenho tentado obstinadamente fugir de você. Durante muito tempo procurei saídas e alternativas para me manter afastado. E só de pensar na possibilidade de cruzar - por qualquer razão - contigo em qualquer esquina do meu peito, minha pele se arrepiava toda e meu estômago virava uma trouxinha de panos pronta para sair pela minha boca.  Você tá negando agora, mas eu sei muito bem que anda me perseguindo, sim. Não começa a balançar a cabeça e dizer que não porque fica feio mentir agora. Eu te vi lá. Enquanto eu lia aquele livro, naquela festa encostada no fumódromo. Até me espiando no banheiro! Que absurdo! E sem falar naquele restaurante que eu adoro. No parque, cinema, museu, sorveteria, você não mediu esforços hein? Às vezes eu achava que você ia surgir de alguma moita qualquer e me agarrar e me engolir sem mastigar, de tão perto que eu te sentia de mim. Mas eu apertava o passo e atrasava mais um pouco o nosso reencontro. É, reencontro. Pensa que eu não lembro? Você t...

Compulsão Alimentar

Não adianta negar. Todo mundo sofre um pouco com isso. Pode ser que não a todo momento, mas uma hora acontece, é inevitável, não adianta tentar fugir ou fingir que não é com você. Cada um de nós amarga uma coisa que eu decidi chamar de compulsão alimentar.  É aquela necessidade de preencher alguns dos nossos sentimentos com alguma coisa. Qualquer coisa que possa fazer com que nós possamos nos sentir vivos, ou pelo menos, perto disso. Algumas pessoas preferem acreditar que esta, é uma forma pessimista de entender e reconhecer certas coisas que moram dentro da gente. Mas não tem como fugir, e eu posso te contar o porquê.   Não importa se o que você sente é algo triste ou feliz, nós sempre iremos procurar uma maneira de realizar a manutenção dessas sensações. Mandar uma mensagem de boa noite todos os dias e receber um emoticon amarelinho sorrindo como resposta pode ser suficiente para alimentar aquela se sensação de "tudo bem, pode dormir, amanhã é outro dia". E a...

Armadura

Seja meu amigo. Preserve meu coração, me dê o direito de explorar a minha dor, a minha tristeza. Permita que meu corpo se acostume ao desconforto do sofrimento ininterrupto que abala as estruturas do meu âmago. Estou te pedindo, quase implorando para que deixe o sabor amargo durar mais um pouco. Não se sinta a pior pessoa do mundo ou alguém incapaz de ajudar ao próximo quando eu estou escolhendo abrir meu peito e a deixar entrar. É preciso muita coragem, uma dose inexplicável de amor próprio e uma força quase desumana que não-se-sabe-de-onde-vem para estar aqui. Escolher de bom grado subir em um palanque à praça pública gritando para que as pedras sejam jogadas. Não entenda mal. Não acho justo quando as pessoas se permitem sofrer gratuitamente, pelo simples fato de não terem capacidade e fé para enfrentar seus próprios problemas; definitivamente não estamos falando da mesma coisa. O que jogo nesta mesa hoje é uma dor permitida, uma tristeza autorizada. Necessária, ramifi...

Sua mensagem foi visualizada às 13:06

Sabe qual é o seu problema? Não admitir que tem problemas. E sabe qual é o meu? Aceitar que é “normal” que você não queira admitir isso porque de alguma forma isso faz “parte de você” e eu tenho que “te amar” como você é. Encontre o erro. Em forma de desabafo eu quero te dizer que eu estou cansada da maneira acessória que você me trata, e eu não digo isso da boca para fora não. Foram precisos muitos dias, muitas negativas, muitos tropeços e frases como “engole esse choro” para perceber que talvez eu nem te ame tanto assim. Ou ame, mas não gosto de amar não. Sabe o motivo? Você é péssimo. Você tem sido primorosamente péssimo. Eu acho tão feio quando as pessoas fingem se importar com as outras, mas tão feio que se você soubesse apenas 1/8 disso, jamais pensaria duas vezes antes de tentar fazer isso comigo. Eu não acho que deva ser exclusividade sua, ou da sua personalidade essa mania de achar que todos são como você. Que querem uma barreira segura entre o “você não está bem ...