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Prelúdio de Morte

Querido você ,  Eu queria poder afirmar que esta é, definitivamente, a última vez que lhe escrevo. Mas, como já deve imaginar, eu me conheço bem demais para ter a consciência da minha "instabilidade", então acho que devo começar dizendo que, eu ESPERO que essa seja a última vez que eu lhe escrevo. E por favor, não se sinta chateado, ou magoado por isso. Eu até que, querendo ou não, gosto de lhe escrever. Sinta-se chateado e magoado por todo o resto. E eu espero mesmo que sinta-se, porque não será um décimo de como eu realmente me sinto agora.  Querido você, isto, é uma carta de adeus. Uma clichê, comum e boba, carta de despedida. E eu vou poupar o seu tempo pensando e adiantar que eu não irei embora literalmente, embora na real eu quisesse ter essa coragem. Na verdade, eu vou embora em todos os outros sentidos.  Olha, hoje de manhã eu acordei e te chamei pelos quatro cantos da casa. Você não estava lá. Ou só não quis me responder, como você sempre faz, ...

Henrique Pt. III

E eu até acho que o fato de não amar Henrique foi o que me permitiu estar com ele hoje. Sim, porque eu tenho repulsa desse sentimento nojento chamado "amor". Fora o meu pequeno trauma aos meus nove anos, já deve ser óbvio que minhas experiências "amorosas" não foram lá o que a gente pode chamar de conto de fadas. Na verdade eu acho que passaram bem longe disso mesmo. Mas não importa, o que quero que saibam é que este rapaz que aqui estava há menos de dez minutos é a minha cobaia, e não, eu não sinto nenhum tipo de culpa, remorso ou mesmo peso na consciência por isto.  Vocês já me acham a pior pessoa do mundo?  Bem, deixa eu falar um pouco sobre o Pedro Henrique. Sim, é o nome dele. O Rick é fotógrafo. Talvez outro motivo para eu ter escolhido ele. Trabalha com fotografia artística, e eu o conheci um dia desses enquanto não pensava em nada caminhando por um parque no centro da cidade. Quase como uma cena de filme. Ele surgiu de trás de uma árvore c...

Desacelere, take it easy!

Querida, calma. Mantenha esses pés no chão. Não queime todo o gás no ambiente pois nós ainda vamos precisar dele. Diminua o volume da televisão, do rádio, dos fones de ouvido e da sua voz. Eu não vou mentir: honestamente, eu gosto de como você devora nós dois. Em como você nos consome como se fossemos um pedaço de papel.  A sua intensidade me excita. Me faz lembrar o significado de um dia de verão em pleno janeiro. Você olha dentro dos meus olhos e eu acho que vou derreter, ou me desfazer aos poucos como a lava de um vulcão em atividade. Eu deito na cama e você está em chamas. Às vezes, posso até ver algumas delas emanando desse seu corpo.  Desacelera, amor. Por quê gastar a vida assim? Abre a janela. Você já viu como o céu está bonito hoje? Como esse tom de azul combina com a sua pele e com o seu cabelo e como você consegue ser graciosa dançando com os raios de sol? Slow down, babe. Me dá um tempo e se dá um tempo. Deixa o silêncio te mostrar o quanto ele pode ...

Do you remember?

Para ler ao som de: Mais Feliz - SILVA  Onde foi que nós nos perdemos? Sentado aqui, nessa maldita poltrona que você me encheu tanto o saco para comprar, eu fico me perguntando em qual das esquinas nós acabamos soltando nossas mãos. Em qual vitrine eu me esqueci de olhar para trás e em qual calçada eu acabei permitindo que você atravessasse sem o meu olhar, que julgo eu, sempre foi muito protetor. Eu tô tentando fazer um esforço para entender. Eu juro que eu estou. Mas eu sei e você sabe que o conjunto “nós” nem sempre foi descomplexo e isto anda atrapalhando a minha análise. Sabe, o café que eu tô bebendo agora tá super ruim, e eu tô com uma saudade do jeitinho estranho e engraçado que você cozinhava aqui em casa. Tô sacudindo a cabeça pra ver se uma peça chave desse quebra-cabeça se desprende de algum canto escuro e faz tudo ter sentido de novo. Mas não tá rolando. Eu queria tanto lembrar em qual momento você parou de atender as minhas ligações e em qual momento...

Centelhas

Hoje ela acordou e sentiu que precisava de uma vez por todas se sentir bonita. Precisava finalmente (ou não), determinar o que iria determinar a sua autoestima. Então ela foi ao salão de beleza, cortou os cabelos, fez as unhas, desenhou as sobrancelhas e até se depilou. Foi tudo para ela. Cada centavo e cada centelha de autoconfiança que depositava em si própria. Depois de lá, foi até uma loja de “tamanhos especiais” e usando algumas dicas de blogs e blogueiras que lia ou seguia, montou um look que achou adequado, moderno e a fez se sentir sensual. Na calçada seguinte, um par de sapatos fabuloso e um perfume de tirar o fôlego de qualquer um. Era sexta feira e a oportunidade estava ali. Sentia-se quase renovada, como se algo dentro dela houvesse enfim despertado e uau, em muito tempo era a primeira vez que ela ela realmente se achou bonita diante do espelho. Sentiu-se atraída por si mesma e repetiu “Nossa, você está maravilhosa”. E com essas palavras tomou o rumo da noite...

Henrique Pt. II

Ele está se movimentando na cama. Enrolado nos meus lençóis. Rapidamente minimizo a janela do word. Não que eu tenha algum problema em deixá-lo ler a história. Até porque, tudo que já escrevi até aqui é a mais pura verdade e de alguma forma, sei que ele, no fundo, também sabe disso. Abro um sorriso amarelo quando ele me fita. Estou sentada na cadeira com um pé apoiado no acento e o queixo sob meu joelho.  — Bom dia. — digo  — Bom dia Babi. — responde ele sorrindo antes de procurar pelo relógio no pulso e perceber que é hora de ir, embora seja sábado.  Confesso que eu mesma não percebi o dia amanhecer. Acho que já passava das 7 da manhã. Mesmo sendo cedo, sei que Henrique tinha milhares de coisas para resolver no dia e é claro que, eu não me importava. E então fiquei ali, assistindo ele se levantar e se vestir enquanto comentava o quão boa havia sido a nossa noite o quanto aguardava pela próxima vez. Fico enjoada novamente.   — Eu ligo para você...

Henrique - Pt I

Tenho a impressão que lá fora, o mundo inteiro ainda está em suas camas, confortáveis, em algum lugar afastado da realidade cruel e nojenta na qual vivemos. Porque o sono nos dá isso, ele tem a capacidade de te transportar para onde e quando você quer e prefere ir. É claro que, pesadelos são uma exceção, mas não vou falar deles na minha história.  Na minha história eu vou falar de mim, e dele. Mesmo que eu tenha a impressão que isso só significa, definitivamente, falar unicamente dele.  Neste momento na minha mesa, além do meu notebook, tem também uma xícara de um café que eu nunca vou beber, mas, como eu gosto do cheiro e como foi ele quem fez, eu resolvi esquentar e deixar aqui do lado, para ver se me dava alguma inspiração. Embora a maior delas esteja um pouco mais a frente, jogado na minha cama, dormindo como se todos os problemas do planeta pudessem ser esquecidos, por uma noite, por um dia. Sorrio, ao pensar que, obviamente ele não resolve...