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Não Desiste de Nós

Vem cá, deixa eu abraçar suas costas nuas, ouvir o seu coração e conectar o meu nele só pra sentir que alguma coisa ainda bate viva aqui dentro. Deixa eu sentir seu cheiro, beijar sua pele, te apertar contra mim como se a gente fosse se fundir num só. Deixa eu acordar deitada sob o teu peito e perdida no seu braço que sempre ficava dormente quando eu insistia que tinha medo. E não faz assim. Deixa eu chorar baixinho, encolhida num canto do sofá só para você usar essa sua habilidade de me fazer sorrir e mudar de assunto como se pudesse afogar todos meus problemas e as minhas cólicas. Deixa o dia passar, o vento leve tocar os nossos cabelos e trazer aquela sensação gostosa de que o tempo ao seu lado não passa. Deixa eu chegar na sua frente, abrir a porta da casa que podia ser a nossa, e não. Não me olha desse jeito, que me desarma, me sufoca. Não grita assim, não chora. Porque eu sei que você chora quando a gente apaga a luz do meu quarto.  Não dá dois passos, não passa a po...

Eco. Eco, frio.

"Ei, boa noite. Eu não queria assustar não. É que tava olhando de longe o seu amor. Tava olhando como, mesmo confusa você parece tão completa, tão suficiente . Eu não sei o nome dele, mas eu sei que é essa a palavra o motivo do sorriso lindo que estava enfeitando seus lábios antes de eu chegar. Não se assusta não. Eu tava achando bonito observar como você olhava pra ele e como ele  olhava pra você. Eu só criei mesmo coragem pra atravessar a rua e falar contigo porque achei que não era direito meu negar de você as coisas que eu refleti sobre tudo que vi.  Muito prazer. Eu sou um coração partido, em pequenos pedaços espalhados já não sei por onde . O vão dentro de mim é tão profundo que se você gritar daqui da porta vai achar que existem milhares de vocês aqui dentro. Um eco, eco, eco... um vazio, vazio, frio. É tão gelado por aqui, que eu acho que já me acostumei. Sabe quando dói tanto ou incomoda tanto que até adormece, pois é. Tô num sono profundo a tanto tempo que ...

Wake UP!

Para coração. Para de acreditar em tudo, de confiar cegamente, se ceder sem medo. Para de se retalhar em fiapos e se jogar ao vento justificando liberdade. Não acredita que eles entendem, porque eles não entendem. E isso não significa que não gostariam de entender, significa que emoções são sentimentos solitários.  Não vem com essa que querer compartilhar... com esse discursinho: melhores amigos  são para isso. São? Não são? Não são coração, estúpido! Para. E não me olha assim, não enche os olhos de lágrimas porque elas não abrirão um buraco no chão para que você possa sumir e deixar toda a dor e a confusão para trás. Pelo contrário. Levanta esse rosto, toma vergonha nessa cara e larga a mão de ser burro. Tô sendo grosso sim. Tô sendo mesmo e não é pro teu bem não. Ninguém quer teu bem se você não quiser. Começa agora a deixar essas correntes soltas no chão. Você vai conseguir se equilibrar sozinho. E se no chão você se encontrar, respira fundo, engole a poeira e levanta...

Dor de Choro

"Eu só preciso de alguém que me abrace e diga que entenda. Que entenda como é se sentir sozinho. Como é se sentir perdido e desamparado, sem saber pra onde está indo, por que está indo ou mesmo quem está ao seu lado. Alguém que entenda como é absorver  tudo o que sente tão desesperadamente e ser corroído por todas essas impressões, por  toda sensibilidade. Que entenda como é ter vontade de se desfazer nas lágrimas que  represa todos os dias - por medo, tristeza, dor. Alguém que vai me fazer acreditar de  novo, que vai abrir a porta desse quarto bagunçado e, ao invés de fechá-la novamente,  vai entrar, abrir suas janelas para a luz do sol e tirar a poeira de cima das esperanças,  dos sonhos, dos desejos."   Larissa Mattos Provavelmente já passava da hora do almoço quando ela, finalmente, fez um movimento em cima do colchão e debaixo dos cobertores. Não havia acordado naquele momento. Na verdade, tinha dúvidas até de se tinha realmente dor...

Questão de Idade

Estaria mentindo se dissesse que nunca imaginei como seria ou como será a minha vida daqui a alguns anos. Na última semana e na atual, algumas coisas me chamaram a atenção para a maneira como, não só eu, mas as pessoas no geral têm vivido suas vidas. A primeira delas foi quando, enquanto assistia a um filme numa aula de Jornalismo e Literatura da faculdade, me deparei com uma personagem engraçada. Negra, magra, bonita, usava roupas bem curtas e tinha uma atitude forte no olhar. Ela questionava o porquê ou como, as pessoas conseguiam passar o dia inteiro nas ruas e não olhar para o céu. Não reparar na beleza que ele, sozinho, pode proporcionar. Além disso, ela falava o quão importante é se amar. Amar o que você é e como você é antes de tudo e todos. A segunda foi hoje. Encontrei uma movimentação diferente na internet. Inúmeras pessoas, incluindo amigos, compartilhando um texto que trazia 25 coisas para se fazer antes dos 25 anos. Eu, particularmente, li a lista com um aperto...

Sucumbir

Não que fosse fácil continuar adotando aquele status, mas confesso que a zona de conforto onde me encontrava mantinha a cicatriz dentro do peito intacta e isso, por aquele momento, bastava. Sempre tive uma mania de ter medo da vida, medo do passo seguinte. Se bem que, nem sempre na verdade. Não me lembro exatamente como começou ou de onde ele, o medo, veio. Mas no fim  instalou-se da mesma forma. Eu chamo de mania porque, embora eu não goste de admitir, eu meio que escolhi olhar de longe. Decidi ser a leitora ao invés da personagem da historia. Afinal, e você deve concordar comigo, é ridiculamente mais fácil apenas fechar o livro quando a fabula começa a incomodar e sucumbir. Quem me escuta falar imagina o quão devastador foi ou deve ter sido viver as coisas que vivi. E embora no começo poucas pessoas colocassem fé nos meus traumas eu sempre os fiz ser muito reais. Fazia questão de gritar bem alto os nomes dos demô...

Birthday Invitation

Foi engraçado como eu e o Viny nos conhecemos. Porque, diferente de alguns amores não foi amor a primeira vista. Talvez tenha sido 14ª ou 15ª. Mas no final, foi amor do mesmo jeito, e continua sendo. Não é emocionante e nem extraordinário, mas o que vou contar para vocês mudou a minha vida…  Eu não sei muito bem como começou, mas lembro de que estávamos em abril. Mês que, na minha vida, tinha dado inúmeras voltas naquele ano. Parecia que tudo queria acontecer ao mesmo tempo. Comoumafrasequenãoéeditadacomespaçoesemfolegovocêsemataparaentenderoqueestáescrito. Como se o mundo fosse acabar amanhã e eu ainda precisasse fazer o almoço, a janta e pensar no café da manhã do dia seguinte. Então quando tudo estava quase literalmente despencando, como uma avalanche, ele parou na minha frente, impedindo-me de cair (sem saber que o fazia) e sorriu. Sorriu com a pureza que eu já havia descartado daquele lugar. Afinal de contas, eu tenho um quê pessimista mesmo. Eu e o Vini ...