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Sua mensagem foi visualizada às 13:06

Sabe qual é o seu problema? Não admitir que tem problemas. E sabe qual é o meu? Aceitar que é “normal” que você não queira admitir isso porque de alguma forma isso faz “parte de você” e eu tenho que “te amar” como você é. Encontre o erro. Em forma de desabafo eu quero te dizer que eu estou cansada da maneira acessória que você me trata, e eu não digo isso da boca para fora não. Foram precisos muitos dias, muitas negativas, muitos tropeços e frases como “engole esse choro” para perceber que talvez eu nem te ame tanto assim. Ou ame, mas não gosto de amar não. Sabe o motivo? Você é péssimo. Você tem sido primorosamente péssimo. Eu acho tão feio quando as pessoas fingem se importar com as outras, mas tão feio que se você soubesse apenas 1/8 disso, jamais pensaria duas vezes antes de tentar fazer isso comigo. Eu não acho que deva ser exclusividade sua, ou da sua personalidade essa mania de achar que todos são como você. Que querem uma barreira segura entre o “você não está bem ...

18 dias de Junho

Um dia, sete horas, vinte e três minutos e quarenta e dois segundos. É segunda feira. Aquelas típicas, com gosto amargo e céu cinzento. Cenário comum em uma cidade maluca como São Paulo. Eu preciso trabalhar, mas ainda falta muito tempo para sair de casa. Então eu sento na cama e começo a pensar aceleradamente em coisas que possam tomar o meu tempo até lá, já que sei que se deitar agora não me trará o sono de novo e só vai tornar uma máquina de imagens suas em movimento. Então acho que é uma boa ideia começar uma faxina em meu quarto. Pés no chão gelado, luzes acesas, janelas abertas e a playlist de músicas de balada no último volume. Cinco dias, doze horas, trinta e seis minutos e dois segundos. Todos estão animados dentro do ônibus. Seus semblantes denunciam que hoje provavelmente é o melhor dia da semana para todo mundo: hoje é sexta feira. Meu estômago está doendo. Sinto como se meu corpo fosse uma folha de papel dentro daquela máquina de chacoalhar. Tento me manter em p...

Ela

Tem pouco tempo que eu comecei a fazer as coisas sozinho. Coisas bem bobas que na verdade eu nem lembrava mais como funcionavam depois que você apareceu por aqui. Uma delas era ir ao cinema. Essa semana por exemplo, eu tava ali na Avenida Paulista e deu vontade. Entrei, comprei um ingresso e esperei uns 20 minutos para a sessão começar. Antes de entrar na sala, fui ao banheiro e também tomei um café. Tava frio pra cacete. Não tinha muita gente por lá, na verdade, além de mim, esperando para a sala abrir tinham mais duas idosas, uma mulher de óculos concentrada na leitura de um livro que eu não lembro o nome, e um grupo de adolescentes que provavelmente haviam acabado de sair da escola ou da faculdade e iam entrar só para dar uns beijos no escuro mesmo. Achei engraçado. A sala abriu. O atendente verificou minha carteirinha de estudante e carimbou o ingresso. Eu entrei, sentei no meu lugar e esfreguei as mãos, tava realmente muito frio naquele dia. Naquele lugar. Não demorou mui...

Doente de você

A falta que eu sinto de você é tão contundente quanto uma faca que corta a pele, que perfura a carne e faz sangrar o corpo. É como estar tão perto e tão longe do sol. Como se os raios jamais fossem suficientemente quentes para entregar ao corpo a sensação de bem estar e de aconchego que eu preciso.  No momento em que você está ao meu lado é também o momento em que eu me sinto mais sozinha, mais perdida e confusa. A sua presença me faz ter surtos e delírios passageiros. Enjoos, desejos, pequenos surtos, grandes dores e alguns espasmos que eu, com alguma prática, até que aprendi a disfarçar e a controlar muito bem. Mas sei lá, se um dia quiser ter certeza, só repara. Repara na desconexão do meu sorriso com meus olhos; na minha voz gritando no silêncio que eu não estou bem e que a qualquer minuto, qualquer dia, você vai acabar me matando com esse excesso de você.  Do seu lado eu me sinto menor, um pequeno grão de areia, vulnerável, insosso, inca...

Prelúdio de Morte

Querido você ,  Eu queria poder afirmar que esta é, definitivamente, a última vez que lhe escrevo. Mas, como já deve imaginar, eu me conheço bem demais para ter a consciência da minha "instabilidade", então acho que devo começar dizendo que, eu ESPERO que essa seja a última vez que eu lhe escrevo. E por favor, não se sinta chateado, ou magoado por isso. Eu até que, querendo ou não, gosto de lhe escrever. Sinta-se chateado e magoado por todo o resto. E eu espero mesmo que sinta-se, porque não será um décimo de como eu realmente me sinto agora.  Querido você, isto, é uma carta de adeus. Uma clichê, comum e boba, carta de despedida. E eu vou poupar o seu tempo pensando e adiantar que eu não irei embora literalmente, embora na real eu quisesse ter essa coragem. Na verdade, eu vou embora em todos os outros sentidos.  Olha, hoje de manhã eu acordei e te chamei pelos quatro cantos da casa. Você não estava lá. Ou só não quis me responder, como você sempre faz, ...

Henrique Pt. III

E eu até acho que o fato de não amar Henrique foi o que me permitiu estar com ele hoje. Sim, porque eu tenho repulsa desse sentimento nojento chamado "amor". Fora o meu pequeno trauma aos meus nove anos, já deve ser óbvio que minhas experiências "amorosas" não foram lá o que a gente pode chamar de conto de fadas. Na verdade eu acho que passaram bem longe disso mesmo. Mas não importa, o que quero que saibam é que este rapaz que aqui estava há menos de dez minutos é a minha cobaia, e não, eu não sinto nenhum tipo de culpa, remorso ou mesmo peso na consciência por isto.  Vocês já me acham a pior pessoa do mundo?  Bem, deixa eu falar um pouco sobre o Pedro Henrique. Sim, é o nome dele. O Rick é fotógrafo. Talvez outro motivo para eu ter escolhido ele. Trabalha com fotografia artística, e eu o conheci um dia desses enquanto não pensava em nada caminhando por um parque no centro da cidade. Quase como uma cena de filme. Ele surgiu de trás de uma árvore c...

Desacelere, take it easy!

Querida, calma. Mantenha esses pés no chão. Não queime todo o gás no ambiente pois nós ainda vamos precisar dele. Diminua o volume da televisão, do rádio, dos fones de ouvido e da sua voz. Eu não vou mentir: honestamente, eu gosto de como você devora nós dois. Em como você nos consome como se fossemos um pedaço de papel.  A sua intensidade me excita. Me faz lembrar o significado de um dia de verão em pleno janeiro. Você olha dentro dos meus olhos e eu acho que vou derreter, ou me desfazer aos poucos como a lava de um vulcão em atividade. Eu deito na cama e você está em chamas. Às vezes, posso até ver algumas delas emanando desse seu corpo.  Desacelera, amor. Por quê gastar a vida assim? Abre a janela. Você já viu como o céu está bonito hoje? Como esse tom de azul combina com a sua pele e com o seu cabelo e como você consegue ser graciosa dançando com os raios de sol? Slow down, babe. Me dá um tempo e se dá um tempo. Deixa o silêncio te mostrar o quanto ele pode ...