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Me espera?

Bordamos um trecho de “cuitelinho” para decorar o casamento de uma cliente muito especial! {agora da pra ver o bordado todo}  #clubedobordado

Os dias tem sido ensolarados, o vento é apenas uma brisa fresca que toca o rosto atrás das grades nas janelas. Há alguns dias eu estava me lembrando do cheiro que o mar tinha na última vez em que o ano virou. Eu gosto muito do mar, gosto do som, da textura da água, da temperatura e do gosto salgado que deixa na pele. Essa brisa que agora insiste em romper a regra do afastamento nada se compara àquela que sinto quando os meus olhos se fecham diante da imensidão oceânica. 

O novo ano veio com as promessas clichês, os risos sem motivos, os planos inflamados e o coração cheio de vontade dela. Os beijos, o toque, as vezes em que fizemos amor, o calor, tudo isso foi transformado em gasolina e eu sou o carro. As lembranças me alimentam na tentativa ininterrupta de pensar em dias melhores. 

Alguma coisa nos obrigou a apertar o botão pausar. Sinto como se todos estivéssemos sendo colocados em uma prova de resistência, onde as únicas pessoas que sobrevivem são aquelas com capacidade de ter empatia. O mundo estava sangrando, implorando por um minuto, por um respiro e nós queríamos só gritar mais alto. Então, sorrateiro como o amanhecer do dia, fomos postos de joelhos. Obrigados a abaixar a cabeça, a guarda e abrir mão de coisas que nunca achamos que deixariam de nos pertencer. 

A minha prova de resistência tem um nome, tem um endereço e há pouco mais de 40km de distância me faz querer continuar, por mim, por ela, por todos que amamos. Falamos sobre distância, saudade e medo. O medo é a única coisa capaz de mudar as coisas, pois para vencê-lo é preciso coragem e coragem move qualquer montanha, por mais distante que ela esteja, não importa quanto tempo demorar. 

Vamos ficar firmes. Todos nós. Vamos nos reconectar com aquilo que havia perdido o caminho de origem. Respeitar o tempo das doenças, entender a sabedoria que elas podem trazer e aceitar as chances, as novas e as velhas. Nem todas as pausas são sinais ruins, são apenas oportunidades para ver com mais calma, com mais carinho, mais zelo. Uma oportunidade para amar melhor, cuidar mais, sentir mais.

Me espera? Moça que é dona do meu coração, estou indo contra tudo que sinto para que só reste aqui a coragem. A força capaz de passar ilesa pela saudade que come meu coração de dentro para fora, pela falta que o seu riso me faz, o jeito que me olha dormir, a forma como se entrega nos meus braços quando te seguro, o cheiro dos fios enrolados do seu cabelo, de absolutamente tudo que faz você existir. Você me espera? Vai passar, juro que vai e eu vou estar aqui. Porque em qualquer lugar, tem sempre eu, pensando em você. 

Fique em casa. 

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